Uma queixa raramente vem sozinha. A Consulta Integral existe para enxergar a pessoa inteira, não apenas o sintoma que a trouxe até aqui.
Memória, humor, força, apetite, sono, relações e remédios em uso — tudo isso se afeta mutuamente. Por isso a Consulta Integral percorre um conjunto fixo de eixos clínicos em cada paciente, mesmo quando a queixa inicial parece simples. É esse percurso, feito com calma e método, que revela o que uma consulta apressada deixaria passar.
Memória, atenção e raciocínio, rastreados com instrumentos validados — antes que uma queixa se torne diagnóstico tardio.
Sintomas depressivos e ansiosos nem sempre se apresentam como tristeza — no idoso, muitas vezes aparecem disfarçados de dor ou cansaço.
Capacidade de cuidar de si (banho, vestir-se, alimentar-se) e de gerir a própria vida (finanças, medicamentos, transporte).
Peso, apetite e ingestão alimentar — um dos primeiros sinais a mudar quando algo mais silencioso está em curso.
Visão e audição, frequentemente subdiagnosticadas e facilmente confundidas com isolamento ou declínio cognitivo.
Onde e com quem o paciente vive — condições de moradia, segurança doméstica e suporte familiar disponível.
Revisão do que está sendo usado, para o quê e há quanto tempo — polifarmácia é, ela mesma, uma condição a tratar.
Não é uma lista de perguntas aplicada de forma mecânica. É um raciocínio clínico que usa esses sete eixos como mapa, aprofundando onde a história do paciente pedir mais tempo.
História clínica, de vida e de contexto familiar — o ponto de partida de tudo o que vem depois.
Instrumentos validados aplicados de forma objetiva, sem perder a conversa de vista.
Nem tudo precisa ser resolvido na mesma consulta — o que for mais urgente é tratado primeiro.
Conduta clara, com retorno definido para reavaliar o que foi ajustado.